segunda-feira, 28 de novembro de 2011
IX EXPO-AVE - A.O.VIANENSE
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A SELECÇÃO DE BONS CASAIS (POR KEV STOAKES)
A selecção do casal, é sem dúvida, o factor mais preponderante no momento de criar Glosters de grande qualidade, a não ser que um pássaro tenha um gene dominante que contenha todas as características desejáveis. Posto que é muito improvável que um pássaro produza uma descendência perfeita, e dada a escassez destes pássaros, a selecção dos casais apropriados é de grande importância. Abordaremos alguns dos muitos factores que devem ser considerados na hora de seleccionarmos os casais.
A primeira consideração importante é o objectivo que pretendemos alcançar. É importante que tenhamos em conta as nossa preferências pessoais, não devemos criar glosters apenas para agradar os juízes, mas sim para nos satisfazer a nós próprios principalmente. Na minha opinião um bom glosters deve ser curto, com a parte posterior recta, corpo arredondado e com a cabeça redonda e circular. Deve possuir a postura correcta, movimento alegre com boa profundidade de cor.
Conseguir isto não é tão fácil como possa parecer… conseguir alguns pássaros com algumas destas características fortes pode não ser difícil, mas criar pássaros com todas as características desejadas é mais complicado, e estes normalmente são os vencedores em qualquer exposição. A identificação dos rasgos familiares de cada gloster é muito útil. Os rasgos familiares de certos pássaros produzem, por sua vez, glosters com determinadas características. Algumas famílias produzem consorts muito bons enquanto que outros dão melhores coronas. Outras famílias produzem glosters com bom tipo, e outras produzem pássaros curtos com uma excelente qualidade de plumagem. É importante ter conhecimento destes traços familiares de cada família para usá-los em nosso benefício. De uma forma simples, um o pássaro de uma família que produz jovens com bom tipo poderia ser acasalado com um de uma família que produz boas coroas, com a esperança de que uma parte dos jovens tenham uma boa coroa e tipo.
Partindo deste pensamento, conseguiremos chegar um pouco mais longe. Um gloster com boa corona, que procede de uma família que dá pássaros com bom tipo, poderia ser acasalado com um pássaro com bom tipo, que por sua vez procede de uma família que dá gloster com boas coronas. Estas linhas de pensamento podem melhorar a possibilidade de produzir glosters de qualidade necessária para qualquer exposição. É evidente que esta linha de pensamento torna-se mais complexa à medida que se considerarem mais factores. Outra possibilidade, é acasalar em várias ocasiões pássaros que produzem determinadas características desejáveis com outros pássaros que também ofereçam as mesmas características. Deste modo aumentará a qualidade da característica desejada que procuramos. Os cruzamentos repetidos de nevado x nevado pode originar pássaros com bom tipo, mas a estrutura da pena pode tornar-se demasiado larga, Grossa, conduzindo mais tarde ao aparecimento de quistos nas penas. É prática comum nos criadores de Norwich acasalar nevado x intenso para controlar os problemas de plumagem mencionados anteriormente. Os criadores de glosters continuam utilizando os cruzamentos nevado x nevado, com a introdução de um intenso na 4º geração. Portanto, é absolutamente importante a presença de intensos com boa qualidade de plumagem, principalmente para manter a qualidade da plumagem no nosso canaril. Alguns criadores de glosters utilizam os intensos de qualidade para acasala-los com os seus melhores nevados, para manter a qualidade da plumagem em anos posteriores. É necessário reconhecer as variações na estrutura da plumagem, acasalando pássaros com características de plumagens opostas. Por exemplo, plumagem curta x plumagem longa, plumagem levemente estreita x plumagem levemente larga, com o objectivo de produzir pássaros nivelados. O acasalamento de plumagens dura longa x dura longa é propensa a originar quistos, enquanto que plumagem suave longa x suave longa é susceptível que nos dê pássaros com bigodes debaixo dos olhos e penas levantadas debaixo da parte posterior do pescoço. Dentro deste plano de criação, temos ainda que ter em conta a variedade de cores que queremos introduzir: 3 partes escuras, variegados, azul, amarelos, um ou outro canela e fawns. A produção de algumas destas cores necessita de certa planificação prévia.
canela macho x verde produz em teoria 25% de fêmeas canelas, introduzindo um azul há 12,5% de probabilidade de produzir fawns. É muito importante a presença dos canelas uma vez que possuem boa profundidade de cor e bom tipo
Da mesma forma que foi explicado que é importante acasalar pássaros com determinadas características para potencia-las, é extremamente importante que evitemos acasalar aves que tenham os mesmos defeitos, pois estes também se acentuarão.
Kev Stoakes (UK Gloster breeder and judge)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
ENTREVISTA A FRANCISCO E ANDREIA PADILHA
4. Quais são as variedades que neste momento crias?
5. Actualmente quantos casais de canários tens?
7. Usas nos acasalamentos casal certos, ou utilizas um macho para várias fêmeas? Se sim quantas fêmeas metes ao mesmo macho?
8. Qual o teu método de selecção de casais? Guias-te pelo aspecto exterior da ave, pelas suas características visíveis (fenótipo) ou recorres à genética (saber quem foi o pai, mãe, avós…)?Possuo um registo de todos os pássaros sabendo toda a sua descendência desde 2005 (ano em que comecei a criar glosters).Dou primazia à genética tentando depois conciliar com o seu fenótipo.
9. Qual a mistura base que utilizas neste momento?
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
GLOSTER FANCY ONE DAY SHOW - AVEIRO 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
IGBA GLOSTER SHOW ALÉM TEJO 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
IGBA GLOSTER SHOW INGLATERRA 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
ENTREVISTA AO CRIADOR JOAQUIM LOPES
Nome: Joaquim Manuel Abreu Duarte Lopes
Cidade: Sernadelo/Mealhada
Contactos: Email: jmadlopes@gmail.com
Telm: 00351 966255122
1. Como começou este gosto pela Canaricultura?
Antes de mais, o gosto pela ornitofilia começou bem cedo por volta dos 14 anos de idade. Pela canaricultura e nomeadamente nos Glosters acerca de 20 anos. Mas por esta altura tinha apenas 2/3 casais, por gostar das coroas, porque dedicava-me exclusivamente aos exóticos. A partir de 2005 aumentei o número de casais de Glosters para 20 e em 2006 por circunstâncias da vida tive que optar entre os exóticos e os canários e fiquei com estes últimos, num total de 25 casais. Em 2007 estabeleci a número de 300 crias como meta, aumentei substancialmente os casais e criei com 70 casais. Este ano reduzi nos casais (52), mas mantive a mesma meta a atingir.
2. Qual ou quais foram as tuas maiores dificuldades quando iniciaste?
As maiores dificuldades foram conseguir exemplares de qualidade em quantidades suficiente que permitisse desenvolver um trabalho sustentado, o que me levava a recorrer frequentemente ao estrangeiro à procura de bons exemplares, despendendo bastante dinheiro, porque em Portugal não era possível conseguir;
Falta de informação e de ajuda de outros criadores;
Dificuldade em obter os glosters correctos para efectuar os acasalamentos;
Dificuldades em conseguir que os melhores exemplares reproduzissem com sucesso.
3. Qual foi a raça com que começaste este hobby?
Iniciei nos exóticos, nomeadamente nos mandarins. Criei quase todos os exóticos australianos e alguns africanos. (Anilhava cerca de 700 aves). Nos Canários iniciei com os Glosters, porque era a raça que mais gostava nos canários.
4. Quais são as variedades que neste momento crias?
Actualmente crio: Glosters, Norwichs, Pintassilgos Major, Cardinalitos da Venezuela e canários de Moçambique, estas duas últimas raças em pequeno número.
5. Actualmente quantos casais de canários tens?
No todo, 98 casais. Este ano reduzi bastante nos Glosters e criei com apenas 52 casais.
6. Qual ou quais as raças que mais te fascinam e porquê?
Em termos de canários é o Gloster pela paixão que nutro por esta raça, pelo desafio em conseguir criar bons exemplares em quantidade e qualidade superior.
Os Pintassilgos Major pela sua beleza, grandeza, canto e fascínio de os criar em cativeiro.
7. Usas nos acasalamentos casal certos, ou utilizas um macho para várias fêmeas? Se sim quantas fêmeas metes ao mesmo macho?
Depende. Normalmente são casais certos, até porque actualmente por motivos profissionais, não disponho de tanto tempo como tive a uns anos atrás, para poder rodar os machos. Mas, para os machos com determinadas características que procuro trabalhar, posso utilizar 2, 3 ou mais fêmeas. Já tive ocasiões que um macho acasalou com 7 fêmeas.
8. Qual o teu método de selecção de casais? Guias-te pelo aspecto exterior da ave, pelas suas características visíveis (fenótipo) ou recorres à genética (saber quem foi o pai, mãe, avós…)?
1º - Sei a genética de todos os meus pássaros desde 1996. É um aspecto muito importante que devemos ter sempre em consideração.
2º - As características visíveis (fenótipo) é que me fazem efectuar sempre a escolha de acordo com o objectivo que pretendo, sem nunca descurar a sua genética.
9. Qual a mistura base que utilizas neste momento?
Utilizo a Premium da Versele-Laga;
e Germinado.
10. Manténs essa mistura todo o ano ou varias de acordo com a época?
Mantenho todo o ano, em situação de criação aumento o germinado. Em situação de repouso junto alpista e perilha à mistura.
11. Que tipo de papa(s) utilizas? Como é administrada? Dias em que dás a papa?
Papa Orlux + Papa seca misturada equitativamente, diariamente logo pela manhã.
12. Vitaminas e outros aditivos alimentares, mistura-los na papa ou na água?
Algumas são misturadas na papa e outras na água, dependendo do tipo ou fim a obter, mas preferencialmente na papa, porque tenho muitos bebedouros a funcionar. ;)
13. Qual ou quais as marcas que gostas de usar?
Uso bastantes dependendo dos produtos que considero melhor mas no grosso modo são:
Versele Laga;
Ornicare.
14. Qual o tratamento preventivo que utilizas para os reprodutores?
Desparasitante Interno; ESB, 30%; Água com vinagre de maçã.
15. Para os parasitas, nomeadamente o piolho, o que utilizas?
Uso Frontline ou Ivomec (1 gota na nuca).
16. Em que altura nomeadamente acasalas os canários? E desde quando tens os machos separados?
A seguir à muda os meus machos estão separados das fêmeas e em voadeiras. Normalmente gosto de acasalar os Glosters em Dezembro, agora depende muita das condições climatéricas. Para iniciar a criação, separo os machos individualmente e quando estiverem prontos junto as fêmeas.
17. Quantas posturas permites numa época de criação?
Normalmente 3 ou 4 mas tudo depende dos casais, posso ir mais além disso.
18. Normalmente separas os filhotes com quantos dias?
A separação é feita aos 30 dias.
19. Algum tratamento específico para acompanhar as crias no desmame?
Sim qualquer produto que acelere o processo de muda. (EX: Oropharma B-Chol ou Muta-Vit ou Feather-Up da Ornicare).
20. No último ano qual a média de crias que tiveste no final da época de cria?
Nos últimos 5 anos crio cerca de 300 glosters por época.
21. Como fazes a preparação das aves para as Exposições, isolas as aves individualmente, tens espaço para tal?
Tenho 44 gaiolas de separação. Assim que a ave é considerada com qualidade para ir para as exposições, é separada individualmente. Assim, todos os melhores exemplares são devidamente separados um por cada gaiola desde logo para evitar qualquer contratempo. Banho pelo menos 1 vez por semana e idas regulares às gaiolas de exposição são procedimentos que desenvolvo.
22. Participas normalmente em que exposições?
Normalmente participo sempre nos dois 1Dayshows (Freamunde/Mealhada e Além Tejo) que têm sido organizados. Na exposição anual da Associação Ornitófila da Cidade de Aveiro a que pertenço; No Nacional de Glosters do GCP; Em Réggio Emilia/Itália, por vezes vou ao Nacional da FNOP/FOCIP e ao mundial, se este não se realizar muito longe. (Porque gosto de lá fazer uma visita!)
23. Quais os teus objectivos na canaricultura?
Os meus objectivos foram concretizando-se aos poucos. Um dos objectivos que sempre tive passava por ter a maioria dos glosters do meu plantel criados por mim. Em termos de exposições, fui campeão em Glosters Coronas Individual no Nacional da COM em Leira em 2004. Fui campeão (Best of the Show) em 2008 no GCP. Tenho conseguido todos os anos ter glosters bem classificados nos 1DayShows em que participo, assim como no GCP (ainda no anos passado tive 3 glosters no pódio Best Verde TPE, Best Canela e Best Intenso) e os 16 glosters que levei a concurso ficaram todos dentro dos sete primeiros das respectivas classes. Sei que ano após ano, há cada vez mais criadores com excelentes Glosters, o que valoriza ainda mais qualquer prémio que se consiga.
Particularmente, o que pretendo no inicio de cada criação é criar os glosters que gosto e que possa ir às exposições e não ficar envergonhado com os que exponho.
Actualmente passa por criar 300 glosters por época e obter cerca de 10 glosters considerados “Outstanding”. Daqueles que têm lugar em qualquer plantel e que ninguém te vende.
24. Que características tem o teu canaril? (breve descrição)
O meu canaril para os canários é bastante grande com cerca de 84 m2. Tem tudo o que preciso e todas as condições necessárias para a criação: 98 gaiolas de criação e 10 voadeiras.
25. Qual o país que consideras mais avançado actualmente a nível da canaricultura nomeadamente a nível de canários de cor, porte e canto?
Quanto aos canários de cor e canto, não faço a mínima ideia. Nos Glosters (e naquilo que conheço e tenho visto porque desloco-me regularmente ao estrangeiro) penso que actualmente ainda são os belgas, se bem que, os Italianos não estarem muito longe, mas não é fácil manter sempre o nível alto durante muitos anos seguidos. Os Ingleses já têm os Glosters mais pequenos e rapidamente vão voltar ao topo.
Mas, o que é importante assinalar é que também aqui em Portugal temos uma palavra a dizer. Há já criadores ao nível que encontramos nesses referidos países. Tem-se verificado nas últimas exposições, os glosters – tabelados muito por cima – e apenas os pormenores e/ou os gostos dos juízes fazem a diferença. O problema é que o criador nacional ainda tem um espírito muito individualista e não trabalha em grupo como a grande maioria dos bons criadores estrangeiros que conheço. E isso, ao mais alto nível faz toda a diferença. Os que conseguirem esse trabalho de grupo têm a vida facilitada.
Questões exclusivas para criadores de glosters
26. Qual a cor no gloster que mais aprecias?
Os Verdes (TPE).
27. Quistos? Que criador de glosters nunca os teve!! Um problema que lidas facilmente ou um problema?
Aparecem sobretudo em aves mais velhas (3/4 anos). Mas devidamente tratados secam rapidamente. Nos novos raramente me ocorre essa situação.
28. Tens intensos no plantel? Consideras os intensos uma ferramenta importante para melhorar a plumagem, ou conjugas diferentes tipos de pena nevada?
Tenho bastantes intensos. São aves que utilizo com regularidade até porque no meu plantel só fica quem tem boa cor (que é uma das características dos meus glosters). São boas aves para trabalhar.
29. Em relação aos canelas, usas-o com alguma finalidade em especial?
Não os uso muito. Tenho 3/4 fêmeas canelas para fazer portadores mas trabalho essencialmente com machos portadores nunca com puros.
30. Em qual destes parâmetros julgas ser mais complicado atingir a perfeição? Tamanho, plumagem, coroa ou corpo.
Corpo. (e conciliar todas estas características ao mesmo tempo em vários exemplares!!!ehhehe)
31. A base do teu plantel resulta unicamente de aves adquiridas a criadores portugueses, ou já recorreu a aves de criadores estrangeiros?
Já recorri várias vezes a criadores estrangeiros. No início, os primeiros glosters estrangeiros vieram da Bélgica, mas em número reduzido (não eram mais do que 2 casais por ano). Posteriormente, da Inglaterra, aí sim em número significativo e que me ajudou bastante na melhoria do meu plantel. Há cerca de 5 anos, o meu plantel é constituído por 98% de glosters criados por mim. Quando preciso, não tenho pejo em recorrer aos criadores nacionais, até porque como referi anteriormente, a qualidade das nossas aves em nada fica a dever à dos estrangeiros, antes pelo contrário. Nós muitas vezes não valorizamos o que temos por cá e perdemos também muito por não sermos muito conhecidos além-fronteiras.
32. Em Portugal daquilo que conheces com qual de identificas mais? E a nível internacional. Podes referir criadores que já desistiram do hobbie ou que tenham morrido.
Em Portugal, existem vários criadores com os quais eu me identifico, sobretudo pela quantidade de glosters com qualidade que estes criadores apresentam. Pela proximidade e pela amizade criada há muito anos bem antes dos Glosters, o meu amigo Vítor Dias, assim como o Hélder Rocha e o Manuel António. Mas podia falar de muito outros, como o Fernando Silva, Augusto Teixeira, Daniel Lourenço, Mário Castro, Patrick Barros, Joel Cordeiro e muito mais outros….
A nível internacional, O Kris Claes (ainda hoje tenho na memória a equipa de coronas buff e 1 macho corona buff que ganhou no Mundial de 2001 em Santa Maria da Feira). Para mim foi o Pélé dos glosters….
O Rob Wright que tive e tenho o prazer de privar com ele e que me auxiliou bastante, O Barrie Alexander e o Mark de Keyser.
33. Há algum conselho que queira deixar para quem inicia este hobby nomeadamente a nível da construção do canaril, da aquisição de material (gaiolas) e de pássaros?
O que posso dizer aos que iniciam é que sem trabalho nada se consegue e a persistência deve estar sempre presente. Procurar as características que pretendam obter nos seus glosters e trabalha-las individualmente, passo a passo.
Terem alguém que os possa ajudar e aconselhar (ai se ajuda) e tentar obter sempre os melhores resultados apesar de muitas vezes os contratempos serem mais dos que bons resultados. Tentar adquirir os melhores glosters que conjuguem com os que já possuem.
Participarem em exposições para assistirem aos julgamentos e conhecerem os criadores e as suas aves.
Quanto ao nível do canaril e gaiolas, tentem sempre fornecer as melhores condições às suas aves.